Será que me perdi e eu apenas não mais sou? As frases soltas já não fazem mais sentido. Mesmo assim as escrevo.
Mais que perder a ideologia, mais que perder o sonho. Eu me perdi no meu próprio tempo-espaço. E, então, me achei sem acréscimos, sem solução.
Minha cronologia é cíclica. Manuseio o que há perto de mim. Mas vou mais longe, não porque amo, mas porque eu quero e minha essência é egoísta.
Blog pessoal. Rascunho de uma jornalista que brinca de aprendiz de poetiza/escritora. Jogo de palavras.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
O piano branco
Quando eu estava entre as nuvens, mal pude notar, há mais que nós no mundo, aqueles sobreviveram. E quando caí sozinha por Terra, sonhei com você outra vez. Eu tocava o mesmo piano branco que costumava ser nosso símbolo. Mas que piano envelhecido, nem parecia o meu. Era sujo, fedido, remendado. Ele era o meu coração.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
A Vida
A vida inteira deparada em um cinzeiro
Tão derradeira...
O conto que lia não fazia mais sentido
A fumaça corroía sua mente cheia de conflito
Achava todas as rimas bregas e sonsas
Quanta bobagem!
A cereja permanecia na mesa
Junto à pena, à tinta e a sua tristeza
O som era like a Rolling Stone
Outra música...
O cigarro não apagava, era devagar
Assim como sua morte: lenta e silenciosa...
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
O Sonho de Sete Faces
Sonhei. Ontem. Em uma noite fria. Estranhamente calma – moro próxima a um ponto de ônibus em uma avenida movimentada, na maior cidade do país. A janela estava aberta. Havia um vai e volta de vento, aqueles sopros que parecem cochichos. Às vezes tinham clarões, não sei se eram raios ou faróis. Apenas sei que sonhei. Foi apenas um sonho, mas com sete faces.
Eu era um anjo torto que dava ordens a um poeta ao nascer, “vá ser um gauche na vida!”, dizia ao pé da orelha esquerda. Eu vivia nas sombras, junto a outros anjos que estavam na mesma situação. Um nome me vinha à cabeça: Carlos.
De repente me vi em um lugar comum. Um lugar onde a vida alheia interessa. Onde as casas espiam. Onde os desejos se espalham impedindo que a cor do céu volte a ser azul. Eram os homens correndo atrás das mulheres. Desejos, desejos, desejos. E o azul a cada segundo mais distante do céu.
Eis que passa o bonde. Todos olhando para baixo. Todos identificando apenas pernas. E quantas pernas. Eram albinas, negras, mulatas, bronzeadas, amarelas. Tantos tipos de pernas em tão pouco espaço. Um bonde quase como um metrô em horário de pico na estação Paraíso, quase uma Sé. Meu coração ficava atrelado: quantas pernas, pra que tanta gente assim? Meus olhos, apenas cumpriam a missão deles: observavam, viam, admiravam.
Havia um homem que chamou minha atenção. Era um homem de bigode. Tentei decifrá-lo. Tentei descobrir o que havia por trás do bigode, o que escondia. Queria perguntar por que não ria, o motivo da seriedade. Homem simples e forte. Quem eram seus amigos? Tinha amigos? Eram os poucos, tão raros. Era isso que trazia atrás desses óculos e bigode.
Em um momento de pânico e perdição, não sabia pra onde fugir. Comecei a me desesperar e a orar. Deus tinha me abandonado em uma cruz, e eu não era o Filho que esperavam, e Ele bem que sabia. Clamei forte a frase “Meu Deus, por que me abandonaste?”. Estava perdida, fraca e sem Deus.
Conseguinte, tentei achar uma solução. Com alguma rima de cartão. Invocando o mundo. Chamando-me de Raimundo. Não passava de rima. Solução que não vinha. Solução? Era tão vasto mundo. Mas menos que o coração.
Depois de passar por tantos extremos, chegou a hora de olhar para a noite, para a lua. O brilho, a intensa cor lunar propunha aquele conhaque. Era a fria, calada noite. Assim, o conhaque acalma o coração. Assim, abre o coração. E tudo acaba em comoção dos infernos, já estou comovida como o diabo. Era a lua, era o conhaque.
Mas isso... Isso eu não deveria nem ter te contado.
(Entrando na poesia de Carlos Drummond de Andrade - "Poema de Sete Faces")
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quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Meu Interior
Em uma aula foi determinado pelo professor que nós, alunos, faríamos - individualmente - um texto com o tema: viagem ao centro de si mesmo. Indaguei logo: qual seria meu centro, meu interior? E é exatamente assim:
“Achar o centro do meu interior e expô-lo seria um pouco doloroso para mim. Por isso, descreverei com muita atenção. O meu estômago é um pouco rebelde. Desde meus três anos de idade, judio dele enchendo-o de café, coca-cola e bolacha com maionese. Uma azia ou outra me faz lembrar que ele é o centro do meu interior e que merece uma prioridade.
Nas primeiras viagens que tive de Guaíra-SP para Cristalina-GO, meu estômago revoltou-se. Mas foi se acostumando com os 510 km de estrada (principalmente quando a Caravan de 1994 foi trocada pelo Vectra de 2002).
Hoje na capital paulista, ele sofre mais que nunca. Café em excesso, miojo, chocolate, cachorro-quente, misto-quente, cappuccino, bomba energética, coca-cola, salgados, entre outros itens diários – ou no mínimo semanais. O centro do meu interior, portanto, está extremamente afetado”.
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