sábado, 30 de janeiro de 2016

Concretismo

Dizem que sonhar demais é errado. Criar expectativa. Alimentar ansiedade. Dizem que se deve manter tudo sob controle. Autocontrole.

Dizem que a decepção vem por esperar demais de algo. De alguém. Daquilo que você buscou a vida inteira. Do namorado que não a ama.


Dizem tantas coisas. Palavras que te fazem perder tempo. Ou a si mesma. Como se o concretismo fosse muleta. Separando ideias de realidade de tristeza de cansaço. Separa-se a sentença. Repetindo palavras até se tornarem vulgar.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Sobre ser humana

As falhas estão na transpiração, no respirar, nas escolhas, no sorrir, no carinho, no beijar, no sexo. As falhas estão nas veias. Fluem. Correm. Acontecem.

A chuva não lava, o sangue não drena, a pele fica pálida, fria, com odor insuportável. Não é a morte, é a falha. A falha do querer, do fazer, do beijar e, principalmente, do falar.

Fez-se da madrugada o dia. Cinzento. Amargurado. Um dos últimos? Talvez seja um erro. Compute-o, conte-o.

Descalça, sentada no chão ao pé da cama. A televisão continua desligada. As flores continuam na imaginação. Os risos, o coração palpitante, os suspiros sinceros. Onde ficaram? Resultam em falha.

Falhas. Tão abstrato quanto o sentimento. E de tanto errar, talvez um dia eu acerte. Mais um, compute-o, conte-o.

sábado, 1 de março de 2014

Canção do momento

Ouvi essa canção no beco cheio de pétalas que, outrora, foram flores vermelhas. Era a orquestra que caía dos céus. As luzes se espalhavam pela cidade cinza. Faziam parte do show. Um coro ao fundo fazia performance suave. Mas a voz grave, o protagonista, era delirante.


O beco das pétalas não é meu lugar. A canção fez-se parte de mim. O brilho nos céus me arrepiava. É passageiro. É nostálgico. Nesta noite sem lua, dormirei sob o cheiro de chuva paulistana.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Madrugada sem fim

A madrugada surge e os pensamentos voam
Uma discussão sobre princípios ferve
Mudanças, jogos, humanidade, ética, amor?
Volto a questionar os caminhos a percorrer.

A madrugada faz com que as horas corram
Descobrindo para que o feitiço serve
Tocar o terror, brincar, se desligar, ter pavor?
Egoísmo torna-se a fórmula para sobreviver.

A madrugada troca as prioridades e elas escoam
Como furacão de ilusões tornando-me verme
Rosas, fogos, guerras, dogmas, calor?
Riscos confusos só fazem sentido quando amanhecer.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Chuva desta primavera

Estive pensando na chuva que cai nesta primavera
Constante, calma, limpa
Fecho os olhos apenas para escutá-la
Melodia da noite, cria ritmo junto aos carros
A chuva esquiva a tristeza
A chuva é fria e diminui os anseios
Nada realmente importa, a não ser esse som
Às vezes isso torna-se tudo
E já não sinto mais os pés entre cacos de vidro
E já não me importo com as analogias de dor
Que outrora me invadia
Apenas há chuva
Sem objetivo, sem decepção, sem eu
Não há pessoas, não há corações
O mundo tornou-se gotas
Não olho mais pela janela
Porque a chuva tomou conta do meu ser