sábado, 1 de março de 2014

Canção do momento

Ouvi essa canção no beco cheio de pétalas que, outrora, foram flores vermelhas. Era a orquestra que caía dos céus. As luzes se espalhavam pela cidade cinza. Faziam parte do show. Um coro ao fundo fazia performance suave. Mas a voz grave, o protagonista, era delirante.


O beco das pétalas não é meu lugar. A canção fez-se parte de mim. O brilho nos céus me arrepiava. É passageiro. É nostálgico. Nesta noite sem lua, dormirei sob o cheiro de chuva paulistana.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Madrugada sem fim

A madrugada surge e os pensamentos voam
Uma discussão sobre princípios ferve
Mudanças, jogos, humanidade, ética, amor?
Volto a questionar os caminhos a percorrer.

A madrugada faz com que as horas corram
Descobrindo para que o feitiço serve
Tocar o terror, brincar, se desligar, ter pavor?
Egoísmo torna-se a fórmula para sobreviver.

A madrugada troca as prioridades e elas escoam
Como furacão de ilusões tornando-me verme
Rosas, fogos, guerras, dogmas, calor?
Riscos confusos só fazem sentido quando amanhecer.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Chuva desta primavera

Estive pensando na chuva que cai nesta primavera
Constante, calma, limpa
Fecho os olhos apenas para escutá-la
Melodia da noite, cria ritmo junto aos carros
A chuva esquiva a tristeza
A chuva é fria e diminui os anseios
Nada realmente importa, a não ser esse som
Às vezes isso torna-se tudo
E já não sinto mais os pés entre cacos de vidro
E já não me importo com as analogias de dor
Que outrora me invadia
Apenas há chuva
Sem objetivo, sem decepção, sem eu
Não há pessoas, não há corações
O mundo tornou-se gotas
Não olho mais pela janela
Porque a chuva tomou conta do meu ser

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Flores e farpas de uma vida melancólica

Há algo em meu coração que pede para ser expelido.
Há um nojo, uma náusea de algo que me feriu.
Há estranha revolta pelas pessoas que ainda passarão por mim.
Há flores pelo chão despedaçadas pelas mãos sujas de marfim.

Não demora a melancolia devora meu ser.
Pelos pesadelos que não saem com o ato de beber.
Fraturas invisíveis, juro que não vai ficar assim.
Toda vez que chorar se perguntará: onde está ela pra cuidar de mim.

Grandes farpas pelos ares enfeitam minha casa.
Não passarei mais pelo caminho que me levou àquela desgraça.
Este teclado ajuda a acalmar a alma.
Feito um violão que toca a canção que me falta.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Anacrônica

Entre os quatro muros que separam minha vida da vida normal
Posso dizer-lhe sinceramente, anacronicamente, um pouco do romantismo
Posso passar adiante o que aprendi com as lágrimas mais salgadas
Ou como o mundo desilude as paixões.

Seja como for, não é aqui meu lugar...
À minha volta circulam pessoas estranhas e sem rumo
Flores caem sem explicação aparente, são belas, mas apenas belas
O romântico coração não tem chance de sobreviver, tão anacrônico.

Mundo árduo, falso, triste, nauseante
Não gosto daqui, não gosto desse tempo de hipocrisia delirante
Meu romantismo se afunda ao passo de nossa valsa
A rosa murchou e o farol abriu, amanhã compro outra.